Marcas reagem à eliminação do Brasil na Copa do Mundo da FIFA 2026
A eliminação do Brasil para a Noruega por 2 a 1, no domingo, 5, encerrou a participação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da FIFA 2026 e mudou rapidamente o tom da comunicação de algumas marcas ligadas ao torneio. Depois de semanas apostando em esperança, humor, influenciadores e no clima de mobilização nacional, os patrocinadores precisaram ajustar suas narrativas diante do fim precoce do sonho do hexa.
A reação, no entanto, não foi imediata para todos. Logo após o apito final, por volta das 19h, a maior parte das empresas manteve a comunicação anterior ou permaneceu em silêncio nas redes sociais. Enquanto a TV aberta ainda exibia campanhas de incentivo à seleção, poucas marcas conseguiram virar a chave para mensagens de consolo, identificação e continuidade.

Antes da partida, o cenário era de alta mobilização. Marcas patrocinadoras da CBF, parceiras da Fifa e empresas que aproveitaram a audiência do torneio intensificaram suas ativações digitais durante o mata-mata. A Vivo publicou conteúdos com Vinícius Júnior, a Volkswagen fez postagens ligadas ao confronto, enquanto Guaraná Antarctica, Google, Uber, Sadia e outras empresas buscaram se aproximar da torcida com campanhas, humor e mensagens de incentivo.
Com a eliminação, o tom passou da celebração para o acolhimento.

Entre as primeiras movimentações estiveram Rexona e Itaú, que adotaram caminhos bastante diferentes. Patrocinadora da Fifa, a marca de desodorantes da Unilever já havia preparado uma resposta emocional ainda antes do término da partida, com a mensagem de que, independentemente do resultado, “Rexona nunca te abandona”. Pouco depois da eliminação, a marca levou o conceito também para as redes sociais, em um vídeo com torcedores emocionados e o mote “Não foi dessa vez”.
A ação reforçou a campanha #TorcidaQueNuncaAbandona, posicionando a marca ao lado do público mesmo no momento de frustração. A estratégia ganhou peso dentro do plano da Unilever para o Mundial, já que a companhia destinou metade do orçamento anual de marketing de Rexona no Brasil às ativações da Copa, com investimento 10% superior ao realizado no ano anterior. A competição marcou ainda a estreia da marca como patrocinadora da Fifa.

Já o Itaú optou por uma resposta de impacto visual e simbólico. Patrocinador da seleção brasileira, o banco retirou do Instagram as publicações relacionadas ao jogo e à campanha da Copa poucos minutos após a derrota. Em cerca de 40 minutos, mais de 500 conteúdos foram removidos ou arquivados. A biografia do perfil também foi alterada para a frase “No vazio feito você”, em uma tentativa de traduzir o sentimento coletivo da torcida.
A ação chamou atenção justamente por contrastar com a presença intensa do banco no pré-jogo. Durante o dia, o Itaú havia sido uma das marcas mais ativas na conversa sobre a seleção, com conteúdos de torcida, incentivo e ativações ligadas ao seu programa de benefícios. A campanha também resgatava a música “Mostra Tua Força Brasil”, usada como plataforma emocional para se conectar ao clima da Copa.

Horas depois, a Vivo entrou na conversa com uma publicação minimalista. A marca da Telefônica, que vinha trabalhando o conceito “Brasileiro Roxo”, postou um vídeo curto, de seis segundos, com fundo branco, logotipo em cinza e a expressão “modo avião”. A legenda resumiu o clima pós-eliminação: “Por hoje, é isso, brasileiro Roxo.”

A Azul Linhas Aéreas, patrocinadora da CBF até 2030, destacou o orgulho de vestir as cores do Brasil e reforçou que segue junto da seleção.

A Coca-Cola respondeu a interações nas redes reconhecendo a entrega da equipe em campo.

O Mercado Livre, fornecedor oficial da Copa do Mundo Fifa 2026, manteve a narrativa de paixão pela seleção em todos os momentos.

Outras marcas já começaram a deslocar a conversa para os próximos ciclos. O Duolingo usou seu mascote Duo para brincar com a expectativa da próxima Copa e a hashtag #hexa2030.

Já Dove e Amazon direcionaram parte da mensagem para a Copa do Mundo Feminina Fifa 2027, que será realizada no Brasil, reforçando o apoio à seleção feminina e à continuidade da torcida.
Apesar do silêncio inicial de boa parte dos patrocinadores, as ativações realizadas durante o Mundial já vinham entregando resultados expressivos. O iFood informou que sua campanha da Copa alcançou 185 milhões de pessoas e gerou mais de 350 publicações nas redes sociais, sendo mais de 200 produzidas em tempo real para acompanhar os jogos. A Vivo registrou 1,4 milhão de interações e 32,2 mil compartilhamentos com a campanha “Brasileiro Roxo”, entre abril e julho. A Volkswagen, por sua vez, somou quase 300 milhões de impactos e mais de 700 mil engajamentos.
A eliminação do Brasil na Copa evidenciou um dos maiores desafios para marcas em grandes eventos esportivos: construir campanhas capazes de sobreviver tanto à euforia da vitória quanto à frustração da derrota. Em um ambiente de comunicação em tempo real, a velocidade de reação, o tom da mensagem e a capacidade de ler o sentimento da torcida se tornam tão importantes quanto a própria exposição de marca.
Com o fim da trajetória do Brasil no Mundial, a disputa pela atenção do público também muda de campo. Sai de cena a expectativa pelo hexa e ganha espaço a habilidade das marcas em transformar o luto esportivo em conexão, memória e continuidade.
Fotos: Divulgação
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