Netflix desiste da compra da Warner Bros. Discovery e abre caminho para Paramount
Após semanas de negociações, a Netflix decidiu não cobrir a oferta apresentada pela Paramount Skydance pela compra da Warner Bros. Discovery (WBD). A decisão reposiciona o tabuleiro e praticamente consolida a Paramount como favorita na corrida pelos ativos da companhia.
Em comunicado divulgado na quinta-feira (26/02), os coCEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters, afirmaram que a operação deixou de fazer sentido sob a ótica financeira. Segundo os executivos, o acordo “sempre foi interessante pelo preço certo — nunca a qualquer custo”.

A dupla reforçou que a proposta negociada anteriormente criaria valor aos acionistas e tinha um caminho regulatório viável, mas que igualar a nova oferta da Paramount tornaria o movimento “financeiramente inviável”. Com isso, a Netflix optou por não exercer seu direito de cobertura.
Mesmo fora da disputa, os executivos fizeram questão de reconhecer o processo conduzido pela liderança da Warner, citando o CEO David Zaslav e o board da companhia, classificando a empresa como “uma organização de classe mundial”.
Paramount assume protagonismo na negociação
Com a retirada da Netflix, a proposta mais recente da Paramount Skydance passa a ser considerada superior pelo conselho da Warner Bros. Discovery.
Os números chamam atenção:
- US$ 31 por ação
- Garantia de US$ 7 bilhões em caso de impedimento regulatório
- Pagamento da taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões referente ao acordo anterior com a Netflix
Na prática, trata-se de um pacote financeiro robusto, que reduz riscos e fortalece a probabilidade de aprovação pelo board.
O que muda no Live Marketing e nas ativações?
Para além dos impactos corporativos, o possível movimento de consolidação mexe diretamente com o ecossistema de entretenimento e, por consequência, com o mercado de brand experience.
A Warner Bros. Discovery tem presença expressiva no Brasil por meio de verticais como TNT Sports, HBO, Warner Channel, além de franquias globais como DC, Cartoon Network e HBO Max — marcas com forte atuação em grandes eventos e experiências proprietárias.
Um exemplo emblemático é a presença recorrente na CCXP, onde ativações imersivas, lançamentos exclusivos e experiências de fandom costumam movimentar filas e redes sociais.
Uma eventual integração com a Paramount pode gerar:
- Reconfiguração de estratégias de patrocínio e presença em eventos
- Sinergias entre propriedades intelectuais
- Nova arquitetura de portfólio para experiências proprietárias
- Ajustes na política de produção local e ativações regionais
Para o mercado de Live Marketing, o recado é claro: aquisições dessa magnitude não ficam restritas às planilhas — elas redesenham o mapa das experiências.
Agora, o setor aguarda os próximos capítulos. Se confirmada, a aquisição pode representar um dos movimentos mais estratégicos do entretenimento global na última década — com reflexos diretos no Brasil.
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