Meta deixa o metaverso para trás e compra startup de IA Manus

Menos de cinco anos após a mudança de nome e a grande aposta no metaverso, a empresa praticamente deixou de lado essa estratégia

Depois de um ano em que a inteligência artificial virou prioridade máxima no mundo da tecnologia, a Meta fechou mais um grande negócio nos instantes finais antes de 2026. A empresa anunciou a compra da Manus, startup de IA que ganhou projeção ao apresentar agentes capazes de realizar tarefas complexas, como busca de imóveis e análise de currículos.

A Manus tem sede em Singapura, assim como sua controladora, a Butterfly Effect, mas foi fundada na China e ainda mantém parte de suas operações no país. Segundo informações de mercado, a Meta deve desembolsar mais de US$ 2 bilhões pela aquisição, numa tentativa clara de reforçar suas capacidades em IA — área em que a companhia reconhece estar atrás de alguns concorrentes.

O movimento acontece em um cenário cada vez mais competitivo, marcado pelo avanço acelerado de fabricantes de chips, startups nativas de IA e gigantes como a Microsoft, que se reinventaram a partir de grandes investimentos no setor. Dentro desse contexto, a Meta corre para ganhar terreno.

Com o acordo, a tecnologia de agentes de IA da Manus passa a integrar o portfólio da Meta e poderá ser incorporada a produtos como Facebook, Instagram, WhatsApp e o chatbot de inteligência artificial da empresa. A compra vem na sequência do investimento de US$ 14,3 bilhões feito no início do ano na Scale AI, especializada em dados para treinamento de modelos de IA.

Em comunicado, o CEO da Manus, Xiao Hong, afirmou que a união com a Meta permitirá que a startup cresça sobre uma base mais sólida, sem alterar sua forma de operação ou autonomia nas decisões.

Mudança de rota

A intensificação dos gastos em inteligência artificial deixa clara a correção de rumo da Meta. Menos de cinco anos depois de mudar de nome e apostar todas as fichas no metaverso, a companhia praticamente abandonou essa estratégia e passou a concentrar seus recursos em IA.

Em novembro, Mark Zuckerberg afirmou que a Meta pretende investir cerca de US$ 600 bilhões em tecnologia e infraestrutura de inteligência artificial nos Estados Unidos até 2028.

Alexandr Wang, diretor de IA da Meta, ex-Scale AI, celebrou a chegada da Manus em uma publicação no X. Segundo ele, a equipe da startup em Singapura é referência no desenvolvimento de agentes avançados e deve reforçar o trabalho do Meta Superintelligence Labs, que planeja ampliar contratações no país.

Embora não tenha o mesmo peso de nomes como a DeepSeek, a Manus se destaca como mais uma empresa asiática de IA que passa a operar sob o guarda-chuva de um gigante americano. Em abril, a startup havia levantado US$ 75 milhões em uma rodada liderada pela gestora Benchmark, com participação de investidores asiáticos como Tencent e HongShan Capital Group.

A Meta informou que pretende encerrar gradualmente as operações comerciais da Manus que ainda existem na China, realocando funcionários e encerrando vínculos comerciais no país. A empresa também reforçou que os profissionais da Manus que ingressarem na Meta não terão acesso a dados primários de usuários.

“Não haverá participação acionária chinesa contínua na Manus AI após a transação, e a empresa vai descontinuar seus serviços e operações na China”, afirmou um porta-voz da Meta.

Foto: Depositphotos

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