Tendências para eventos em 2026 exigem mais profundidade e estratégia

Especialista destaca que esses encontros têm o objetivo de gerar conexão, engajamento e memória de marca, por isso o planejamento estratégico é essencial

Com o Brasil atingindo 144 milhões de usuários ativos nas redes sociais, segundo o Relatório Digital 2025, o estilo de comunicação rápido e informal das telas transbordou para o mundo físico. Esse comportamento passou a ditar tendências para eventos em setores como marketing e eventos corporativos, gerando um debate entre especialistas sobre o risco de adotar estratégias equivocadas em busca dessa agilidade.

O problema? O que funciona em um “story” de 15 segundos pode estar sabotando o ROI dos eventos corporativos.

Felipe Macedo, CXO da Alternativa F, aponta que o mercado vive uma “crise de profundidade”. Segundo ele, a tendência de simplificar processos em busca de agilidade tem gerado eventos genéricos que falham em seu propósito principal: a conexão humana.

À frente da Alternativa F, agência boutique com 13 anos de mercado, e passagens por marcas como Sony, Adidas, Claro e Tokio Marine, Macedo observa um retrocesso na complexidade das produções. Para o executivo, que coleciona mais de 100 prêmios (incluindo reconhecimento em Cannes e o Prêmio Caio), o mercado está copiando a estética rasa das redes sociais. 

“Estamos vendo produções menores, ideias e execuções menos elaboradas e menos investimentos. Com painéis genéricos, cenografia mínima e pouca profundidade”, afirma.

Riscos ao branding

A simplificação não é apenas uma questão estética, mas um risco ao branding. O especialista reforça que, quando uma marca opta pelo básico, ela perde o poder de diferenciação em um mercado saturado.

Os impactos negativos citados incluem:

  • Queda no engajamento interno;
  • Dificuldade na retenção de talentos;
  • Enfraquecimento da cultura organizacional;
  • Perda de identidade competitiva.

Quando todos os eventos são iguais, todas as marcas soam iguais, isso em um cenário altamente competitivo é esconder sua marca em meio a todas as outras”, explica o executivo.

Erro na linguagem

Macedo esclarece que o erro não reside no uso das redes sociais, mas na aplicação de sua lógica a ambientes que exigem outra profundidade. Eventos corporativos não são apenas transmissores de informação; são geradores de memórias.

Para ele, o equívoco está em aplicar a lógica das redes sociais a formatos que possuem linguagens e funções próprias: “não se trata de buscar culpados ou demonizar as redes sociais. O erro está em aplicar a mesma estratégia a meios radicalmente diferentes”.

“Cada formato de mídia carrega uma cultura, uma função e uma linguagem própria”, completa.

Tendências para 2026

Para 2026, o executivo acredita que será essencial diferenciar o que deve ser tratado com profundidade daquilo que pode ser mais simples. As estratégias de produção de eventos institucionais precisam partir de objetivos claros para que as marcas consigam se conectar de forma autêntica e alcançar resultados consistentes.

“O desafio da comunicação contemporânea é recuperar a coragem de pensar mais, respeitando as especificidades de cada mídia. E, nos eventos institucionais, a inteligência criativa continua sendo fundamental”, conclui.

Foto: Depositphotos

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