Lacoste lança nova coleção Fall-Winter 2026 na Paris Fashion Week

A coleção parte de um episódio histórico de 1923, quando uma partida de René Lacoste foi interrompida por uma forte chuva

🔎 Foco da notícia 🔎

  • A coleção Fall-Winter 2026 da Lacoste é inspirada em uma partida real de 1923, quando René Lacoste venceu Manuel de Gomar na Copa Davis sob forte chuva.
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  • O episódio — com direito a jornais no gramado, torcida protegida por capas e guarda-chuvas — serve como ponto de partida para a narrativa da nova temporada.
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  • A coleção desloca o olhar do jogo para o público e o cotidiano urbano, propondo silhuetas sem gênero que transitam entre o esporte e a cidade.

Era 31 de julho de 1923. O francês René Lacoste enfrentava o espanhol Manuel de Gomar pela Copa Davis em Deauville quando uma tempestade inundou a quadra de grama. Enquanto a água tomava conta do jogo, o público improvisou: jornais espalhados pelo chão para secar o piso, guarda-chuvas abertos, trincheiras e capas impermeáveis protegendo quem estava nas arquibancadas. A partida se arrastou por dois dias. Lacoste venceu em quatro sets. A França foi à final. E ali nascia um campeão.

A diretora criativa Pelagia Kolotouros transformou essa memória de tensão e resistência em ponto de partida para a nova coleção. Mais do que o centro da quadra, ela olhou para as arquibancadas — para aqueles que enfrentaram o temporal torcendo, cobertos por camadas funcionais que hoje viram alfaiataria.

Apresentado na lendária quadra Philippe Chatrier, no estádio Roland-Garros, em Paris, o desfile de Fall-Winter 2026 da Lacoste transformou a quadra em uma partida histórica interrompida, mais de cem anos atrás.

O guarda-roupa que enfrenta a intempérie ganha forma técnica: o trench vira base, o poncho evolui da clássica polo, a lã tecnológica protege como uma segunda pele. Náilon transparente surge em volumes acolchoados com acabamento molhado ou reflexivo, contrastando com veludo macio e o blazer René em corte suave. O crocodilo aparece renovado em bordados que pescam no arquivo da casa.

A parceria com a Mackintosh — lendária marca escocesa de outerwear desde 1824 — entrega uma cápsula à parte dentro da coleção. Técnicas artesanais de impermeabilização em algodão, seladas à mão como no século XIX, resultam em peças híbridas: uma polo que é poncho, um tracksuit que enfrenta chuva, uma saia trench plissada, uma camisa-jaqueta de dupla identidade.

Sem gênero definido, a proposta é feita para circular — dentro e fora das quadras, entre o esporte e a cidade. A paleta passeia do cinza chumbo aos metais escuros, dos roxos profundos ao verde Agave (o gramado depois da tempestade) e ao vermelho Rusty (o saibro molhado de Roland-Garros).

Acessórios completam a narrativa: pins de troféus envelhecidos, camisetas Grand Slam, a bolsa Lenglen em novas proporções com alça de silicone, uma clutch em forma de bola de tênis, capa de raquete em tecido técnico. Até um relógio digital com pulseira elástica entra no jogo.

No fim, a coleção devolve o que René Lacoste talvez tenha sentido ao deixar a quadra alagada em 1923: que o jogo verdadeiro não se ganha apenas contra o adversário, mas contra o tempo, o clima, os elementos. E que a elegância, às vezes, está em saber esperar a chuva passar.

Fotos: Divulgação

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