Prefeitura de Curitiba lança “a moto mais mortal do mundo”

Criada em parceria com a agência Tif, a iniciativa levou à concepção de uma moto de verdade, construída a partir de peças e pedaços que sobraram de 12 outras motos, cada uma delas envolvida em um acidente com vítimas fatais

Para enfrentar o crescimento dos acidentes de motocicleta — que já chegam à média de 19 ocorrências por dia — a Prefeitura de Curitiba apresenta uma campanha de conscientização com impacto inédito. O ponto central da iniciativa é o lançamento simbólico da “moto mais mortal do mundo”, um veículo real construído a partir de peças de 12 motos envolvidas em acidentes fatais na cidade.

Criada em parceria com a agência Tif, a ação transforma o objeto em manifesto. Cada componente da moto carrega uma história interrompida, que passa a ser contada ao público como forma de provocar reflexão sobre imprudência e segurança no trânsito.

O filme principal segue a estética de um comercial de lançamento, mas subverte a expectativa ao revelar a origem do veículo e as vidas por trás de cada peça. A mensagem é reforçada pela assinatura “Desacelere. Seu bem maior é a vida”, alinhada à campanha nacional da SENATRAN.

Exposição itinerante e conteúdo com propósito

Para ampliar o alcance, a moto está percorrendo diversos pontos de Curitiba em uma exposição itinerante, iniciada em 15 de janeiro no Memorial de Curitiba. A programação será acompanhada por conteúdos nas redes sociais da Prefeitura, incluindo depoimentos de familiares das vítimas e relatos que contextualizam as histórias por trás da construção do veículo.

“Os acidentes de moto têm causas diferentes, mas a imprudência ainda aparece com frequência. A comunicação pública precisa ter coragem de tocar nesse ponto e transformar a realidade em um alerta direto e necessário”, afirma Marc Sousa, secretário da Comunicação Social.

Para Waldemar Segundo, diretor de criação da Tif, a iniciativa ultrapassa o formato tradicional de campanha. “A moto é, literalmente, feita de histórias interrompidas. Encontramos uma forma de materializar a fragilidade da vida e, ao mesmo tempo, homenagear as vítimas com um recado contundente à população.”

Com a “moto mais mortal do mundo”, Curitiba aposta em criatividade com responsabilidade para provocar mudança de comportamento e recolocar a segurança no trânsito no centro do debate público.

Foto: Divulgação

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