Instituto Maria da Penha transforma camisa da Seleção em alerta para violência contra mulheres
Meses antes do início da Copa do Mundo de 2026, uma polêmica envolvendo a camisa da Seleção Brasileira ganhou novo desdobramento. Após a repercussão negativa do uso da expressão “Vai, Brasa!”, inserida pela Nike nas peças oficiais da equipe nacional, o Instituto Maria da Penha decidiu aproveitar a visibilidade do debate para lançar uma campanha de conscientização sobre violência contra a mulher.

A iniciativa do Instituto Maria da Penha utiliza a camisa da Seleção como plataforma de mensagem, substituindo a inscrição que gerou críticas nas redes sociais por dados reais relacionados à violência contra a mulher e ao feminicídio no Brasil. A proposta é transformar um dos símbolos mais reconhecidos do futebol nacional em um alerta para um problema que costuma se intensificar em dias de jogos.
O episódio envolvendo o uniforme ganhou grande repercussão nas redes sociais, com reprovação de 75% do público à expressão “Vai, Brasa!”, o que levou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a substituir a frase por “Brasil”. A partir dessa discussão, a campanha buscou ressignificar o espaço de destaque da camisa para ampliar a circulação de informações sobre uma causa urgente.
Como parte da ação, um grupo restrito de camisas personalizadas foi enviado a artistas, influenciadores e criadores de conteúdo. Nas peças, a inscrição original foi trocada por estatísticas relacionadas à violência contra mulheres. Segundo os organizadores, todos os participantes aderiram à campanha de forma voluntária.
“Se uma frase na camisa da Seleção virou assunto nacional, usamos esse mesmo espaço para chamar atenção para algo muito mais urgente: a violência contra a mulher. No lugar do ‘Vai, Brasa’ levamos para as golas da amarelinha dados sobre feminicídio no Brasil, transformando um símbolo nacional em um alerta para uma causa que não pode ficar fora da conversa. Violência contra a mulher é crime. Denuncie: Ligue 180”, informou o Instituto Maria da Penha em publicação no Instagram.
Além das camisas, a campanha também conta com ativações em mídia exterior em 12 cidades brasileiras: São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Natal, João Pessoa, Recife, Aracaju, Fortaleza e Belo Horizonte. A estratégia inclui ainda a divulgação nos canais digitais do Instituto Maria da Penha, ampliando o alcance das mensagens em diferentes plataformas.
Entre as mensagens aplicadas nas camisas estão dados como: uma mulher é vítima de feminicídio a cada seis horas no Brasil; 66,3% dos feminicídios ocorrem na residência da vítima; em dias de jogo, os registros de lesão corporal contra mulheres aumentam 21%; e, em 80% dos feminicídios, o autor é parceiro ou ex-parceiro da vítima.
A campanha também destaca que, quando o time da cidade joga, os registros de ameaça contra mulheres aumentam 23%; quando um time favorito sofre uma derrota, os casos de violência doméstica crescem cerca de 7,5%; e mais de 60% das vítimas de feminicídio no Brasil são mulheres negras.

Ao ocupar a camisa da Seleção Brasileira e transformá-la em um espaço para dar visibilidade à campanha, o Instituto Maria da Penha busca inserir a pauta da violência contra a mulher nas conversas impulsionadas pela Copa do Mundo. A ação reforça como marcas, entidades e símbolos culturais podem ser utilizados para ampliar a conscientização social e transformar atenção pública em mobilização.
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