Todo Mundo no Rio é criticado por tamanho da área VIP no show de Shakira
A apresentação de Shakira no evento “Todo Mundo no Rio”, no dia 2 de maio, na capital fluminense, não gerou apenas euforia entre os fãs. O tamanho da área VIP montada em frente ao palco se tornou o centro de uma forte repercussão negativa nas redes sociais, especialmente nos comentários de uma publicação do prefeito Eduardo Cavaliere.

Destinado a marcas patrocinadoras, artistas e influenciadores digitais, o espaço exclusivo foi acusado por internautas de ocupar uma parte cada vez maior da frente do palco, reduzindo o acesso do público geral — mesmo em um evento de caráter popular e gratuito.
“O tamanho dessa área VIP está cada vez mais ridículo. Enchem de artistas e influencers, e para os fãs de verdade sorteiam um ou outro ingresso. É muita sacanagem”, disparou um usuário.
Outro complementou: “Em um evento que se diz voltado para o público, a prioridade deveria ser para a população, os fãs. Isso é desrespeito.”
Apesar da gratuidade, o show é viabilizado pela produtora Bonus Track e conta com patrocínio de marcas como Corona, Zé Delivery, Beats, Santander e Deezer — que, com o esquema montado, garantiram visibilidade privilegiada da apresentação.
Sacos de Areia a 100 reais
Os ambulantes cariocas encontraram uma resposta informal para a mesma disputa por visibilidade. Sacos reforçados preenchidos com areia passaram a ser vendidos como “camarotes” improvisados por R$ 100, permitindo que fãs ganhassem alguns centímetros de altura para assistir ao show. Banquinhos de plástico também foram oferecidos por cerca de R$ 50, tudo sob o olhar e alguma ação dos fiscais da Prefeitura.
Area VIP movimentada por fãs
Assim que os organizadores e a segurança liberaram a entrada, o público, que já aguardava em filas organizadas, iniciou uma verdadeira maratona. O objetivo era um só: conquistar a visão mais limpa possível da cantora colombiana, que retorna ao Brasil para uma apresentação histórica com público estimado em 2 milhões de pessoas.
Ainda sob críticas, o evento atraiu um grande público e consolidou Shakira como um dos grandes nomes da temporada de shows no Rio. A polêmica do tamanho da área VIP, no entanto, acendeu um alerta sobre os limites entre experiência do fã e ativação de marca em eventos de grande escala.
O “camarote” popular, feito de saco de areia, escancara como até eventos gratuitos acabam reproduzindo camadas de privilégio.
Para o live marketing, o episódio deixa uma provocação importante: em megaeventos de rua, a ativação de marca precisa equilibrar visibilidade com legitimidade pública. Quando a área nobre cresce demais, a experiência patrocinada pode deixar de ser percebida como valor e passar a ser vista como barreira.
No fim, Copacabana virou palco não apenas para Shakira, mas para uma discussão maior sobre acesso, marca e experiência. Entre o VIP oficial e o camarote improvisado, quem deu o tom foi o público — tentando encontrar, de qualquer jeito, um lugar melhor para participar do espetáculo.
Foto: Victor Serra/Diário do Rio