Publicis fecha compra da LiveRamp e aposta em dados que ficam com o cliente

Grupo francês conclui o negócio anunciado em maio e junta a plataforma americana à Epsilon para vender um motor de IA instalado no ambiente do anunciante.

| O Publicis Groupe concluiu nesta segunda-feira (2) a aquisição da LiveRamp, empresa americana de colaboração de dados. Anunciado em maio, o negócio foi avaliado em cerca de US$ 2,2 bilhões, pagos em dinheiro. Na época, o valor equivalia a US$ 38,50 por ação, prêmio de 29,8% sobre a cotação da véspera.

Com a aquisição da LiveRamp, o grupo francês junta a plataforma americana à base de identidade da Epsilon, comprada em 2019. Desse modo, nasce o que o Publicis chama de motor de crescimento com inteligência artificial, instalado no ambiente do próprio cliente.

Scott Howe no palco do RampUp, CEO mantido após a aquisição da LiveRamp
Scott Howe, CEO da LiveRamp, no palco do RampUp, evento anual da empresa. Foto: Divulgação/LiveRamp

Na prática, o anunciante passa a enriquecer seus dados próprios com milhares de atributos. Em seguida, pode ativar campanhas numa rede de 25 mil publishers, 500 parceiros de tecnologia e dados, redes de varejo e plataformas fechadas.

Por que a aquisição da LiveRamp pesa no mercado

Para o presidente e CEO do grupo, Arthur Sadoun, os clientes hoje ficam presos entre duas saídas ruins. Ou entregam os dados às grandes plataformas e perdem o controle. Ou então contratam consultorias para montar sistemas sob medida e gastam tempo e dinheiro.

Arthur Sadoun, presidente e CEO do Publicis Groupe
Arthur Sadoun, presidente e CEO do Publicis Groupe. Foto: Divulgação/Publicis Groupe

Por isso, a proposta do Publicis é dar escala imediata sem tirar do anunciante a propriedade das informações. Além disso, as salas limpas de dados permitem cruzar bases com varejistas, streamings e marcas parceiras sem copiar arquivos.

Neutralidade virou condição

Antes do fechamento, a operação passou pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos. Assim, o Publicis fechou um acordo com o órgão, baseado em compromissos que o próprio grupo propôs.

Retrato de Scott Howe, CEO da LiveRamp
Scott Howe segue no comando da LiveRamp e passa a responder a Sadoun. Foto: Divulgação/LiveRamp

Entre eles, está a neutralidade da LiveRamp, que atende também concorrentes do grupo. Dessa forma, a empresa continua como plataforma independente e interoperável, com identidade e cultura próprias.

Scott Howe segue como CEO e agora responde diretamente a Sadoun. Segundo ele, a entrada no grupo vai permitir que os clientes escalem o marketing com agentes de IA mantendo controle total dos dados.

Por fim, o negócio reforça o peso do grupo, presente em mais de 100 países e com cerca de 114 mil profissionais. Mais detalhes estão no site oficial do Publicis Groupe.

 

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