Sede da Bayer pode virar o complexo de entretenimento da 30e em São Paulo
| Quem promove shows no Brasil vive de palco emprestado. Afinal, estádio, arena e pavilhão quase sempre têm outro dono. Agora, a 30e quer mudar essa conta e negocia a compra da sede da Bayer em Vila Socorro, na Zona Sul de São Paulo, para instalar ali um complexo de entretenimento.
O plano apareceu na notificação que as duas empresas enviaram ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) em 23 de outubro. Segundo o documento, a 30e pretende desenvolver no imóvel um complexo de entretenimento ao vivo. Por enquanto, capacidade, cronograma e investimento seguem sob sigilo.




Uma área com escala de bairro
Os números dão a medida da aposta. O terreno soma 124.217 m², com cerca de 75.443 m² de área construída. Ou seja, algo próximo de 15 campos de futebol, com mais de 30 edifícios. Além disso, os endereços registrados são a Rua Domingos Jorge, 1.100, e a Rua Alexandre de Gusmão, 650, perto do Rio Pinheiros.
A Bayer ocupa o local desde 1973. Atualmente, ali funciona a sede administrativa, técnica e operacional da farmacêutica alemã no país. Enquanto isso, a empresa prepara a mudança dos escritórios para seis andares alugados na torre Alto das Nações, na Avenida Chucri Zaidan.
O que as empresas disseram ao CADE
Do ponto de vista jurídico, trata-se de compra de ativos, e não de participação na Bayer. Além disso, o contrato ainda é uma minuta, e o valor segue fechado. Por sua vez, o processo tem o número 08700.010321/2026-84. Depois disso, o Edital nº 811 saiu no Diário Oficial da União em 27 de outubro.
As requerentes são a 30e Participações e Produções Artísticas S.A. e a Bayer S.A. Segundo elas, o negócio não mexe com a concorrência, já que o imóvel pertence a uma empresa de outro setor. Por isso, pediram que o CADE nem analise o caso. Se o órgão pensar diferente, querem aprovação sem restrições, pelo rito sumário. Cabe lembrar que a publicação oficial não equivale a aval.
O que um complexo de entretenimento próprio muda
Fundada por Pepeu Correa, a 30e ocupa o 10º lugar no ranking mundial de venda de ingressos da Pollstar. Além disso, entre 2022 e 2024, movimentou cerca de R$ 1,4 bilhão em bilheteria. Mais recentemente, em março, fechou com o Itaú um acordo de cinco anos para mais de 800 shows sob a marca Itaú Live.
Na prática, ter um complexo de entretenimento próprio dá controle sobre datas, patrocínios e a experiência do público. Por outro lado, isso não significa abandonar estádios, mas depender menos deles quando a agenda aperta. Para as marcas, por sua vez, surge um território fixo de ativação, e não só a janela de uma noite de show.
O movimento também conversa com a concorrência. Da mesma forma, em julho, a Live Nation anunciou a Arena São Paulo, na Zona Norte, com R$ 1,5 bilhão de investimento e 21 mil lugares a partir de 2028. Ao mesmo tempo, segundo a Abrape, cultura e entretenimento geraram R$ 76,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 8,2%. Portanto, a briga agora é pelo chão onde o show acontece.
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