Brinde de evento vira ativo de marca: porque o kit gourmet ganhou espaço nas ativações corporativas

Setor de eventos no Brasil movimentou R$ 813,5 bilhões em 2024, e o brinde físico se consolida como ponto de contato que sobrevive ao fim do evento. Um kit churrasco produzido para a marca TopPan ilustra a virada do descartável para o item de uso real

Durante anos, o brinde de evento foi tratado como item de tabela: a caneta no fundo da sacola, o bloco que ninguém abre, o chaveiro que vai direto para a gaveta. Esse roteiro está mudando. Com o setor de eventos brasileiro batendo recordes e as empresas mais criteriosas sobre cada real investido em ativação, o brinde deixou de ser “lembrancinha” para virar um ponto de contato pensado para durar, e, idealmente, ser usado.

Os números ajudam a entender o tamanho da aposta. O setor de eventos no Brasil movimentou R$ 813,5 bilhões em 2024, o equivalente a 4,6% do PIB nacional, segundo o III Dimensionamento do Setor de Eventos no Brasil 2024/2025, conduzido pelo Sebrae em parceria com a ABEOC Brasil e a FIEC. É dentro desse ecossistema, feiras, convenções, encontros corporativos, que o brinde disputa a atenção do participante.

Do descartável ao item que fica

A inflexão não é só de volume; é de critério. O levantamento Setor Brindeiro no Brasil 202, realizado pela LTP, aponta que o mercado nacional de brindes corporativos fechou 2024 com receita bruta estimada em R$ 3,1 bilhões, com projeção de crescimento de 12% para 2025. E o relatório registra um movimento qualitativo claro: os itens descartáveis e de baixo valor vêm
perdendo receita para produtos mais relevantes e de uso prolongado.

A lógica por trás disso tem lastro em pesquisa de comportamento. Estudos da Advertising Specialty Institute (ASI) e da Promotional Products Association International (PPAI) mostram que a maioria dos consumidores se recorda da marca que ofereceu um brinde mesmo depois de longos períodos, exatamente porque o objeto físico continua presente no dia a dia, ao contrário da
publicidade efêmera. Um brinde que vai para a cozinha, para a churrasqueira ou para a mochila do trabalho rende exposição de marca por meses, às vezes anos.


É aqui que o segmento de brindes gourmet, kits de churrasco, vinho, queijo, ganhou tração nas ativações B2B. São itens com função doméstica real, alto valor percebido e forte associação a momentos de convívio. Para a marca, o cálculo é direto: em vez de pagar por uma impressão que dura o tempo do evento, paga-se por um objeto que entra na rotina de quem recebeu.

O case TopPan: um kit pensado para a mesa

Um exemplo recente desse movimento é o kit churrasco personalizado produzido para a marca TopPan, em uma ação de evento, com tiragem de 900 unidades. O conjunto produzido pela Valtech Brindes reúne uma faca de chef e um garfo trinchante de lâmina em aço inox, ambos com cabo em madeira fixado por rebites, acondicionados em uma embalagem retangular preta de acabamento fosco, o tipo de caixa que sustenta a percepção de presente, não de folheto.

A personalização foi executada em duas frentes: gravação a laser do nome “TOPPAN” diretamente na lâmina de inox das duas peças, e a marca também aplicada no cabo de madeira. A escolha do laser no aço não é detalhe estético, é durabilidade. Diferente da impressão de superfície, a gravação a laser remove ou altera o material na própria peça, o que significa que a marca não
descasca nem desbota com o uso e a lavagem. Num utensílio de cozinha, que vai pegar calor, gordura e água, isso é o que separa o brinde que envelhece bem do que vira sucata em três meses.

Quem acompanha esse tipo de produção de perto enxerga o kit gourmet como um caso de manual sobre escolha de técnica conforme o material. “A real é que muita gente erra na hora de personalizar utensílio de cozinha porque trata todo material igual. Em lâmina de inox, eu vou de laser sem pensar duas vezes, a marca fica gravada na peça, não em cima dela, então aguenta lava-louças, calor, atrito, o que vier. Já no cabo de madeira a conversa é outra, depende do tipo de madeira e do acabamento. O ponto é que o brinde de evento bom é aquele que a pessoa ainda está usando no churrasco de domingo seis meses depois, e é nesse uso repetido que a marca trabalha pra você”, explica Bryan Badanai, sócio da Valtech Brindes, empresa de brindes corporativos personalizados que produziu o kit.

Para Bryan, a tiragem de 900 unidades é representativa do perfil de ação que cresceu no pós-pandemia: volume médio, alta personalização e foco em quem realmente importa para a marca. “Não é sair distribuindo no portão. É escolher um item que a pessoa certa vai querer levar pra casa”, resume.

Prazo: o gargalo silencioso das ativações

Se há um ponto em que o brinde de evento costuma travar, não é o produto – é o calendário. Datas de evento não se movem, e a personalização entra quase sempre no fim da cadeia de produção, quando o tempo já está curto.

“Evento tem uma característica cruel: a data é fixa e quase sempre o brinde é a última coisa que a equipe fecha. Aí chega em cima da hora e a cotação tradicional de dois dias úteis já come o pouco fôlego que sobrou”, observa Bryan. Segundo ele, a resposta operacional que a Valtech adotou foi encurtar a porta de entrada: cotação em minutos via site ou WhatsApp, contra o intervalo de 24 a 48 horas que ainda é comum no mercado. “Quando o gestor de marketing manda a arte numa terça e o evento é no sábado, cada hora de cotação que você economiza vira fôlego de produção lá na frente.”

A diversidade de técnicas também pesa nessa conta. Entre laser, gravação UV, silk screen, bordado e tampografia, cada material pede um caminho, e fechar a técnica certa logo na cotação evita retrabalho de arte e atraso. “Tampografia funciona bem em superfície cilíndrica de plástico rígido; em silicone, eu prefiro UV; em inox, laser. Definir isso na largada é o que mantém o prazo de pé”, diz.

Sustentabilidade entra na pauta da ativação

Outro vetor que reorganiza a escolha do brinde é a agenda ambiental. O mesmo III Dimensionamento do Setor de Eventos mostra que, 76% dos eventos adotaram práticas de gestão de resíduos e 57% usaram materiais sustentáveis em suas operações.

Isso conversa diretamente com a virada do descartável para o durável. Um item de uso prolongado, um utensílio de cozinha que dura anos, uma garrafa reutilizável, alinha o brinde ao discurso de menor desperdício que o próprio evento passou a adotar. O brinde que vira lixo na saída do estande é, cada vez mais, um ruído na narrativa de sustentabilidade que a marca tenta construir.

O que separa o brinde memorável do esquecível

No fim, a régua é simples e foi resumida pelos próprios estudos do setor: utilidade e qualidade percebida determinam quanto tempo a marca sobrevive na vida de quem recebeu. O kit gourmet personalizado se encaixa nessa régua porque combina três coisas que o brinde de evento eficaz exige, uso real e recorrente, valor percebido alto e personalização durável.

“Brinde de evento não é gasto, é mídia que a pessoa carrega pra dentro de casa”, finaliza Bryan. “Se você acertar o item e a técnica, a marca continua aparecendo muito depois de o evento ter acabado. Esse é o jogo.”

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